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Tenho dívidas, minha mãe deprimiu, tenho 35 anos e quero casar: o que faço?

Karin Hueck

09/08/2019 04h00

O que ela pode fazer? (Foto: Pexels)

Ela quer chorar até desidratar

"Eu tenho 35 anos, sou solteira, sem filhos (morrendo de vontade de engravidar), sem namorado há uns seis anos (engravidar de quem?!), à beira de um colapso nervoso no trabalho (sobrecarregada e com chefes que não me respeitam ou me valorizam, mas não posso pedir demissão pois estou devendo pra Deus e o mundo). 

Meu único irmão está às vésperas de sair de casa para se casar com um demônio que (com toda certeza do universo!) o fará muito infeliz (apesar de ele não enxergar e ficar contra mim).

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Além de ter que dar conta de todos os meus problemas, preciso continuar sendo forte o suficiente para ser o único ponto de apoio da minha mãe que está passando pelo luto da morte da minha vó há quatro meses, que nos destruiu emocionalmente e agora sofre com a síndrome do ninho vazio com o casamento iminente do meu irmão. O que eu faço? Fujo? Peço demissão? Choro até ficar desidratada? Arrumo um namorado, a qualquer preço, qualquer um? Ou faço inseminação artificial para engravidar, satisfazer o meu relógio biológico, ressuscitar meu emocional e dar novo sentido à minha vida?" Assinado: Sei lá, mil coisas

 Cara sei lá, mil coisas

Acho que a primeira coisa que você precisa fazer é separar os seus problemas daqueles que não são seus. Primeiro, o casamento do seu irmão. Vou considerar que você esteja 100% certa quando diz que ele está se casando com o demônio (embora, né, difícil cravar isso com certeza). Mas isso não é problema seu. Ele é um homem adulto que pode escolher sozinho com quem vai se casar — e depois quebrar a cara sozinho também, se for o caso.

Depois tem a sua mãe. Entendo que vocês todos estejam em luto pela sua avó e que seja um momento delicado. Mas você não é a terapeuta dela. Você tem as suas próprias tristezas para elaborar e não tem a obrigação de ser o "único ponto de apoio" da sua mãe. A perda da mãe e a síndrome do ninho vazio são coisas que ela poderia tratar muito melhor com a ajuda profissional de um terapeuta. Você não é uma ouvinte neutra, como vai poder consolar a sua mãe, se um dia você também sairá de casa?

Quanto à outras questões. Pelamordedeus, não arranje um namorado a qualquer custo. Isso, sim, seria um problema horrível. Também não é hora de pedir demissão do trabalho na loucura, se você tem dívidas e o Brasil está com alta histórica de desemprego. Tente se impor dizendo mais "nãos" para o seu chefe, por exemplo. Se você quer muito ter filhos, você pode pensar em congelar seus óvulos — o que permite adiar essa grande decisão até um momento em que ela possa ser tomada com a calma que merece. Mas, para essas e todas as outras coisas, procure você também uma terapia. Principalmente para entender que nada precisa ser resolvido já, nesse instante, definitivamente, para sempre. 

Ela apaixonou no novinho

"Oi, preciso de ajuda porque estou confusa, bem confusa… No final do ano passado, eu fiquei com um carinha mais novo. Foi uma coisa de praia, achei que não "subiria a serra" pois ele é 10 anos mais novo do que eu (tenho 31 e ele 21). Mas subiu! Rs Ele é maduro, carinhoso, nos vemos regularmente, rola muita química, sexo muito bom… Mas tenho um preconceito muito grande quanto a idade, me sinto fazendo algo errado, sabe? Como passar por cima desse meu preconceito, não me preocupar com a opinião dos outros e assumir que talvez possa rolar algo legal?" Assinado: Tiazinha

Cara tiazinha,

Dez anos são bastante coisa, especialmente nessa fase da vida — mas ambos são adultos e capazes de tomarem suas próprias decisões. Pense se a situação fosse contrária: ele 10 anos mais velhos do que você. Seria a coisa mais banal do mundo, sequer seria uma crise. 

O que você está sentindo é o peso que é considerado "normal" pela sociedade: nesse caso, que a mulher seja mais nova do que o homem. Felizmente, isso não passa de uma bobagem. Aproveite que você conheceu um rapaz carinhoso, atencioso e bom de cama – e seja muito feliz.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre a Autora

Karin Hueck é jornalista e escritora. Foi editora da revista "Superinteressante", colaborou para alguns dos maiores veículos do Brasil e tem 5 livros publicados.

Sobre o Blog

Se Conselho Fosse Bom é uma coluna de conselhos sentimentais, existenciais e práticos. Está com problemas no trabalho? Sua família te enlouquece? Não sabe se casa ou compra uma bicicleta? Mande as suas dúvidas para o se.conselho.fosse.bom@bol.com.br As respostas são 100% anônimas.

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