PUBLICIDADE

Topo

Histórico

Categorias

“Às vezes eu culpo meu filho por não ter a vida que eu gostaria”

Karin Hueck

14/02/2020 04h00

Está precisando de um conselho? Mande a sua pergunta para se.conselho.fosse.bom@bol.com.br

Tenho 33 anos e um filho de 5 anos que crio sozinha desde que ele tinha 2 meses e o pai foi embora. O menino é a minha única felicidade, sempre pensei que se não fosse ele já teria largado tudo e saído do país, pois tenho dupla cidadania e acho que seria mais feliz lá fora. Acontece que no último mês eu fiz essa experiência, deixei o menino com a avó, fui pra fora e descobri que estava certa, que eu sou muito mais feliz lá fora, mas tive que voltar porque, enfim, o meu filho precisa de mim e eu também sinto saudades dele. Agora voltei a me sentir mais triste ainda, por que tenho certeza que estava certa que a minha felicidade está lá fora e o pior: algumas vezes (em meus pensamentos) culpo o meu filho por ter tido que voltar. To surtando!
Ass.: Que mãe é essa?

Cara que mãe é essa,
Não se sinta mal por pensar essas coisas. Você obviamente é uma mãe sobrecarregada que faz o trabalho acumulado de dois adultos e, justificadamente, se ressente por causa disso. A culpa, claro, não é do seu filho (o pai dele, no entanto, parece ser o ó). Mas é muito importante que você entenda que as férias que você tirou em outro país não têm nada a ver com a vida que você levaria nesse país. Tudo é mais fácil quando se está de férias. Mesmo que não houvesse um filho na jogada, você teria que encontrar um emprego, trabalhar o dia inteiro, achar uma casa, fazer amigos, lidar com a saudade e viver longe da sua cultura — nada a ver com fazer turismo. Também desconfio de frases como: "tenho certeza de que a minha felicidade está lá fora". Se, mesmo assim, esse for o seu sonho, o filho não precisa te impedir de viver isso. Vá se organizando aos poucos, se informe sobre o país, se candidate a empregos, junte dinheiro. Até ter tudo organizado, seu filho já estará mais velho também. Vai ser difícil para caramba se mudar com uma criança — mas essa é uma mudança que não seria fácil de jeito nenhum. De novo: se mudar para um outro país não é comparável a tirar férias, em nenhum aspecto.

Veja também:


Bom dia. Estou em um relacionamento há 7 anos com uma mulher que já tinha uma filha antes de a gente se conhecer. Essa filha está hoje com 20 anos. Ela namorou 3 anos com um menino e agora terminou. Ela disse estar apaixonada por uma menina, mas diz que gosta de homens também. Ela foi rejeitada pelo pai, não tem contato com ele e eu gostaria de ajudar. Ela anda tendo pensamentos suicidas também, escreveu até uma carta. Como ajudar nesse caso? O que eu posso dizer?
Ass.: Padrasto preocupado

 Caro padrasto preocupado
O mais importante a fazer nesse momento é levar as crises dela muito a sério. Se ela gosta de meninos ou meninas é menos importante agora do que tratar o quadro depressivo. O ideal é procurar um terapeuta acostumado com pessoas LGBT e de preferência um psiquiatra também, que possa receitar um remédio, caso necessário. Nunca se deve dispensar alguém que diz estar cogitando cometer suicídio. Fico feliz que a sua enteada tenha uma figura paterna preocupada com ela.

Está precisando de um conselho? Mande a sua pergunta para se.conselho.fosse.bom@bol.com.br

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre a Autora

Karin Hueck é jornalista e escritora. Foi editora da revista "Superinteressante", colaborou para alguns dos maiores veículos do Brasil e tem 5 livros publicados.

Sobre o Blog

Se Conselho Fosse Bom é uma coluna de conselhos sentimentais, existenciais e práticos. Está com problemas no trabalho? Sua família te enlouquece? Não sabe se casa ou compra uma bicicleta? Mande as suas dúvidas para o se.conselho.fosse.bom@bol.com.br As respostas são 100% anônimas.

Se Conselho Fosse Bom