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Se Conselho Fosse Bom

“Sou acompanhante de luxo, mas me apaixonei e não quero mais trabalhar”

Karin Hueck

24/04/2020 04h00

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Comecei a sair com um rapaz só para curtir, não esperava me apaixonar. Nos encontramos e ficamos juntos a semana inteira. Ele sabe que sou acompanhante de luxo, mas nunca me falou que sabe. Ele tem planos de morar fora. Me sinto inferior a ele, não demonstro, mas tenho baixa auto-estima. Não sei o que fazer. Estamos em meio a uma pandemia e não temos nos visto. Mas agora fiquei sabendo que ele é apaixonado por uma americana – encaixaria certinho nos planos dele, né? Às vezes penso que ele só está comigo por comodismo, mas às vezes parece  gostar de mim. Não sinto mais vontade de trabalhar, estou ficando falida kkk. O que eu faço?
– Só e mal acompanhada


– Cara mal acompanhada,
Não sei dizer o que esse rapaz sente por você, mas acho que ser acompanhante de luxo é o fator menos importante nesse caso. Pelo que você conta, você o conheceu quando ele já estava com a vida resolvida: apaixonado por outra pessoa, com planos de se mudar do país. A pandemia pode até atrasar tudo, mas me parece que você entrou em campo quando o jogo já estava decidido. Em parte, você já sabe disso. Sobre não ter mais vontade de trabalhar: em tempos de coronavírus, talvez essa seja a melhor hora para sentir isso, já que não consigo imaginar como seria possível exercer sua profissão mantendo o distanciamento necessário.

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Aconteceu há um tempo, mas ainda me deixa encucado. Eu conversava direto com uma mulher muito bonita no local de trabalho. Falávamos sobre tudo, e ela falava abertamente de seus relacionamentos, com todos os detalhes. Tinha na minha mente que ela era muita areia para o meu caminhão, mesmo se eu fizesse muitas viagens. Mas, depois que voltei de férias, ela estava totalmente diferente, expressão fechada, não me procurava mais para conversar. Foi assim até ela se demitir. Não a vi mais. Anos mais tarde, um amigo saiu com ela e depois me perguntou porque que eu não tinha dado bola pra ela. Segundo ele, ela revelou que colocou um bilhete no bolso do meu jaleco enquanto eu cochilava no meu último dia antes das férias, dizendo: "Para de enrolar e chega junto logo"! Assinado com as iniciais de seu nome. Foi um vacilo meu porque não associei as iniciais com o nome dela. E foi por isso que ela fechou a cara e se afastou. A pergunta é: era pra tanto? Já que mandou um bilhete, porque não o fez às claras?  
– Caminhãozinho


– Caro caminhãozinho,
Vamos fazer um exercício de imaginação. Você é essa menina que conversa todos os dias com um colega de trabalho que, aparentemente, te acha interessante. Você se abre com ele, dá detalhes da sua intimidade e, mesmo assim, nada. Então você decide tomar uma atitude e deixa um recado no bolso dele – mas nada acontece. Você não ouve dele por semanas. O que você pressupõe? Que ele não tem interesse, é claro. Que você estava enganada esse tempo todo, e que acabou de tomar uma bota.

O que essa moça fez ao parar de falar com você foi autopreservação. Ela provavelmente estava com vergonha e se sentindo rejeitada – e cada vez que te via, se lembrava desses sentimentos. Fico me perguntando como você não associou as iniciais do bilhete com a moça bonita que te dava bola. Em vez de perguntar se era pra tanto, por que você não a procura, diz que acabou de descobrir que o bilhete era dela e a chama para sair (depois do isolamento, é claro)?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre a Autora

Karin Hueck é jornalista e escritora. Foi editora da revista "Superinteressante", colaborou para alguns dos maiores veículos do Brasil e tem 5 livros publicados.

Sobre o Blog

Se Conselho Fosse Bom é uma coluna de conselhos sentimentais, existenciais e práticos. Está com problemas no trabalho? Sua família te enlouquece? Não sabe se casa ou compra uma bicicleta? Mande as suas dúvidas para o se.conselho.fosse.bom@bol.com.br As respostas são 100% anônimas.