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"Minha namorada se revelou uma controladora abusiva. O que eu faço?"

Karin Hueck

10/07/2020 04h00

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Imagem: Pexels

Comecei a namorar uma garota um pouco mais nova que eu: tenho 33 e ela, 23. Tínhamos os mesmo princípios de vida, ficar juntos e construir algo juntos. No começo, eu me encantei com o modo dela de enxergar a vida: ela dizia gostar de meditar, de olhar pra dentro de si, dizia não sentir ciúmes. Porém, com um mês de namoro, parece que a máscara dela caiu. Apareceu uma desconfiança absurda, a todo momento ela pedia pra ver meu celular, queria a senha do meu Instagram, exigia que eu bloqueasse pessoas do meu WhatsApp. Numa ocasião, fomos numa festa, ela bebeu e disse a todos que eu a traía, e depois ainda tirou um conhecido nosso, gay, do armário na frente de todo mundo. No decorrer da relação, ela foi se mostrando uma pessoa bem neurótica: eu já não podia correr na pracinha ao lado de casa que ela achava que eu estava com outra mulher. Um dia deixei de ir visitá-la, e ela arrumou DR comigo o dia todo, procurando pretexto pra brigar, e no fim da noite ainda me disse que eu era o responsável pelas doenças mentais dela. Aí cheguei no meu limite e terminei com ela. Todos falam que eu estava numa relação abusiva, mas eu me sinto culpado. Sinto falta dela, a minha vida é um pedaço de papel em branco, e encontrar alguém com os mesmos princípios que os meus me fez voltar a sonhar. Como parar de me culpar?
– Namorava uma ciumenta surpresa
– Caro ciumenta surpresa
Você se livrou de uma boa. Uma pessoa que desconfia quando você sai para correr e acha por certo monitorar as suas redes sociais é encrenca. Ela provavelmente está com a saúde mental abalada mesmo, mas a culpa não é sua e cabe a ela procurar ajuda. Me parece também que ela é movida a drama, pela maneira como procura discussões e causa estrago nas pessoas ao redor, como o coitado do amigo de vocês, que foi exposto dessa maneira imperdoável. Não são falhas pequenas. Ouça os seus amigos. Ela foi abusiva com você, sim, e você vai ficar melhor sem ela. Não sei quais são esses "princípios" que você tem em comum com ela, mas garanto que existem muitas pessoas por aí que estão interessadas em construir um futuro estável –e tranquilo. 

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Alguns meses atrás, uma conhecida minha aqui na Noruega me enviou uma mensagem dizendo que me considera muito e que por isso estava adicionando meu nome à lista da despedida de solteira dela. Me disse as prováveis datas, perguntou se tudo bem fazer isso, explicou a importância desse contato com pessoas do Brasil num momento tão importante pra ela… Não somos muito próximos, mas topei. Eis que agora fui colocada num grupo com as amigas dela que estão organizando o babado, e estou chocada! A despedida durará o dia inteiro e as convidadas terão que pagar pelas atividades planejadas, incluindo uma oficina de pole dancing à beira de um lago… O objetivo: competir com a despedida de solteiro do noivo, que, segundo elas, já conta até com lancha alugada e tudo mais. À certa altura, alguém encomendou um drone. Como eu faço para me salvar dessa enrascada e não perder a amizade? Tô sem dinheiro, rs
– Amiga pero no mucho
– Cara amiga pero no mucho
Ainda estou tentando digerir os detalhes dessa festa. O lago, a oficina de pole dancing (!), o drone (!!), a lancha (!!!). Acho que ninguém jamais teve tantos motivos para pular fora de um evento quanto você. Não me parece ser uma boa falar que você está sem dinheiro para participar da festa –vai que alguém oferece para pagar a sua parte. Será que você consegue participar apenas de um pedaço da despedida? Você pode chegar cedo, por exemplo, e dizer que tem outro evento de tarde. Mesmo que você não tenha absolutamente nada para fazer de tarde, essa é a ocasião perfeita para uma mentira inofensiva. Já avise agora no grupo que você tem um outro compromisso às, sei lá, 13h, e mantenha a história até o fim. Boa sorte! 

Sobre a Autora

Karin Hueck é jornalista e escritora. Foi editora da revista "Superinteressante", colaborou para alguns dos maiores veículos do Brasil e tem 5 livros publicados.

Sobre o Blog

Se Conselho Fosse Bom é uma coluna de conselhos sentimentais, existenciais e práticos. Está com problemas no trabalho? Sua família te enlouquece? Não sabe se casa ou compra uma bicicleta? Mande as suas dúvidas para o se.conselho.fosse.bom@bol.com.br As respostas são 100% anônimas.